Era a boca vermelha, daqueles lábios esticados que chamava. Como se emitisse uma melodia inaudível aos humanos, uma freqüência alta demais. Ou talvez era só a música que estava no último volume. Ela cantava junto, aquela boca vermelha. Ali embaixo, uns vinte centímetros, tinham os ombros, pra cima e pra baixo. Adoráveis pintadinhos ombros, dançando ao ritmo frenético. Ela toda piscava sob aquela luz estreboscópica e absolutamente desnecessária.
Você se sentia um completo idiota no meio de toda aquela gente quicando, você era duro e tinha dois pés esquerdos. Ela também não dançava muito bem, mas ganhava pontos pela desinibição. Foi quando suas mãozinhas pintadinhas pegaram as suas e te obrigaram a dançar. Não importava se você queria ou não, elas te fizeram, elas as mãos, porque você sabia que só existia uma moça. Era só ela, sempre ela, sempre foi, e você descobriu ali que sempre ia ser.
Foi quando você fez a pergunta idiota, e ela ficou te olhando como se você fosse de outro mundo. Mesmo vocês se amassando depois, você percebeu que foi ali que a perdeu.
Jamais saberá seu nome, você não perguntou e nunca mais a viu. Fora nos seus sonhos, quando você vê os lábios e ombros se movendo ao ritmo frenético daquela música que você esqueceu.
Escrito por Ray-Ray às 09h10
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